Oi, eu sou a hostilidade.
Venho falar em nome do amor mal colocado. Sim, amor mal colocado. Ando por aí vagando a espera de alguém que não soube amar, com frequencia econtro pessoas assim e logo me aproximo delas, me fincando feito um ‘encosto’ e não as deixando viver em paz.
Sabe, eu não sou nada sem um pouco de amor mal resolvido e mal colocado, preciso dele pra germinar dentro da outra pessoa. Afinal ninguém é hostil com alguém à quem se é completamente indiferente.
Aos que não sabem, o oposto do amor não é o ódio e sim a indiferença. E eu, a hostilidade, estou bem longe de ser indiferença. Se existo, é porque alguém ainda se importa. Quando a pessoa deixar de se importar, seria inquilina expulsa e terei que buscar nova locação (coisa que no mundo de hoje em dia não é difícil de encontrar).
Confesso que essa vida errante me cansa um pouco, me cansa mais ainda ver toda essa discórdia e pensar que aquelas pessoas que se hostilizam já se gostaram tanto. E que de uma forma ou de outra ainda se importam e que ao invés de curtirem isso, recorrem a mim para se alfinetar e brigar. Ridículo da parte deles. Enfim, preciso deles para ter o meu emprego.
O que seria de mim sem essas “maus amados”. Vou vagando por aí, um dia estou com um, outro dia estou com outro e em um terceiro dia estou com vários. Sou presente e constante, ninguém escapa de mim, nem que seja por uma vez eu me apresento.
Eu sou um estranho jeito de amar. Faço bobagens serem ditas, pessoas deixarem de se reconhecer ao olhar no espelho, dou o talento para discussões em vão, fragilizo relações já abatidas e ligações. Não teria que ser assim, pra que tanto desencontro?
As pessoas deveriam se desencontrar menos, buscar um meio termo. Sem falsas promessas, sem erros banais. Mas ninguém quer ceder e muito menos voltar atrás, dar o braço a torcer, deixar o orgulho de lado. Talvez o tempo cure.
Nesse jogo não há vencedores, eu digo com respaldo da experiência. Todos perdem, todos sofrem, todos choram. Todos terminam infelizes pensando que podiam ter feito diferente. Todos, todos, sem exceção.
Mas a vida é assim mesmo. Não adianta falar. As pessoas fazem o que pensam ser o certo, e são nesses enganos e desenganos do ser humano que eu vou me proliferendo como mais um mal da humanidade.
Sou hostil até comigo mesma. Apesar de ser a hostilidade. Me envergonho de mim. Mas a culpa não é minha. Se vocês não regassem, a minha flor jamais cresceria.
{retirado de: http://aobryan.wordpress.com}
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